Frustrar-te-ias na morbidez do silêncio.
Expurgar-te-ias do atroz desespero da desilusão que te cobria a alma de entorpecimentos. A vida sorriria numa cor mais viva, num amarelo mais esverdeado, nunca debotado por negra lágrima. Prostração alguma te levaria o dedo ao olho, abstergendo-a, limpando-a como a última de um episódio que encontrara derradeiramente o seu fim! Poderias então voar mais alto, saborear a ambição de um outro azul mais cristalino e dizeres-te de novo apóstata. Vestirias a fúnebre casaca daquele dia de longas memórias e ainda assim encontrarias as razões bastantes para sorrir! Sim, porque agora conseguirias cheirar o cravo e fazer por ti!
Obstinadas interrogações fizeram de ti o vassalo de uma arguta subserviência inóspita. Ahh, maldita inércia desse mando teu que demasiado tarde te acordou do cárcere por onde te escondias numa demora tão doentia, num lento despertar, fazendo de ti contínuo servo de nova sepultura. Mas agora, findada tão torpe viajem de ensandecimentos mil, fustigas-te novamente pela oportunidade que cegamente desperdiçaste, mergulhando em novo mar de rochosas lágrimas para o qual sabes não saber nadar.
O teu próximo desafio será esquecer o 'foi tarde demais'!
Take care,
Maria Rebelo