Voltaste a partir. E, contigo, todos os
sorrisos, toda a candura, toda a simplicidade do nosso sentir a dois, cada
suspiro de amor e todos os relances das minhas aspirantes vontades de
proteger-me do mundo em mais um abraço teu. Foi tanto o que já fizeste de mim
ruborescer ao sol e denunciar ao mundo, foi tanto o que já brilhou no meu rosto
de júbilo e amor, qual espelho e reflexo de toda a tua alegria de viver e da
minha inocente felicidade em partilhar-me contigo.
Mas não, mais uma vez foi o mesmo vazio extenso
e pesado, fardo que teima regressar a cada partida tua, que quis ficar, que
ficou... Sem pedir licença, roubou-me a fotografia das gargalhadas de
menino que de ti guardava na alma adentro e me despiu da única recordação que tinha do
teu singelo beijo.
Mais um vez, resta-me o tempo que se obstina em não passar, arrastado num relógio alheio de ponteiros e números; resta-me a vagabunda espera de um banco de jardim, de quem sozinha aguarda por uma data incógnita, por um regresso incerto e uma genuína ilusão de esperanças; mais uma vez, resta-me a solidão de um coração naufragado à deriva, esperando rumo, vento e proa, qual Dulcineia imbuída em silêncios de maresia e de mar alto, aguardando pelo perfume de azul e primavera que o retorno do seu marujo em bandeira erguida sempre anuncia.
Mais um vez, resta-me o tempo que se obstina em não passar, arrastado num relógio alheio de ponteiros e números; resta-me a vagabunda espera de um banco de jardim, de quem sozinha aguarda por uma data incógnita, por um regresso incerto e uma genuína ilusão de esperanças; mais uma vez, resta-me a solidão de um coração naufragado à deriva, esperando rumo, vento e proa, qual Dulcineia imbuída em silêncios de maresia e de mar alto, aguardando pelo perfume de azul e primavera que o retorno do seu marujo em bandeira erguida sempre anuncia.
Volta p'ra mim.
