sexta-feira, 21 de novembro de 2008

O quarto: "Portugal com 'P' "

Cercam-te! Rodeiam-te indivíduos socialmente confundidos como bárbaros de espécie cruel, paulatinamente chicoteados na pele, no peito, na sombra, na alma... por ti!

Julgas-te nesse teu egoísmo egocêntrico, detentor de sabedoria inigualável, respeito próprio! A tua decisão individualmente unânime crê-te que sim: que o que tu pensas é o que todos pensam, assim dotando-te de uma falsa força inexistente, que é tão-só a que te imputa confiança, crença oportunista, dessa tua próxima conduta desgraçada.
Quanto o pudor que repele do teu pesado olhar! Quantas as injúrias, as opulentes críticas que permanentemente te bombeiam a mente! Apagaste-a de compaixão, de benignidade, de clemência, de bondade e de amor! Perdes-te no roteiro que traçaste no passado... queres acreditar em ti, na tua triste imoralidade sempre que olhas para o espelho e só vês reflexo de um cobarde que se esconde por trás de idolatrias nacionalistas carecidas de fundamento humano. Mas não: de ti só vês a clorófica seiva sanguínea que te empalidece a pele. Os teus olhos pobres não conseguem ir além desses outros que te olham do mesmo reflexo. Quiseste vedar a tua mente à virtuosidade da partilha: contigo hoje, com os que ontem te amaram, com aqueles a que tu amanhã chamas de monstros (sim, porque até esses tinham algo para te dar).
Opróbrio factum os que esperas do amanhã. Progressivamente conseguiste afastar os que ainda aspiravam à réstia de bondade (já morta há muito) no fosso tépido entranhado no teu coração. Trocaste-os pelo nada que assombra a humanidade, por esse vexame que teme em perdurar à sua sombra: o lado negro da consciência que séculos sacrificados de história juraram enterrar e que tu decidiste, sem mais, levantar. Fá-lo como um herói, vês-te benemérito, benfeitor, ser escondido ressurrecto agora, julgando profetizar algo que jamais o fora. Crês numa arte errónea que faz de ti falso intérprete da ignomínia lei beneplácita a que tu chamas justiça. Pequeno sejas...

Palavras pronunciadas pelo poeta irmão.

Take care,
Maria Rebelo

3 comentários:

P. disse...

imoral imoral é tu dizeres estas coisas assim sem preparares as pessoas para o que aí vem.. quem lê o teu texto ou fica extremamente deprimido (o que é bom sinal porque percebeu..) ou sai estúpido porque não percebeu sequer as tuas palavras, ou ainda pode sair feliz porque se revê no teu espírito inconformista constantemente desafiador e incrivelmente crítico.

guarda estas "memórias" que mais tarde podes querer escrever um livro e com isto já vais com avanço.. =P

P. disse...

pequeno sejas.. e com toda a razão profetizas o que será destes seres iguais mas com inteligência aprisionada em pequenos quartos fechados com vista para o que conta a história, sem capacidade de abrir uma porta e sair do estrangulamento que por tantos anos tem moldado a sua consciência. talvez por medo do descohecido, por receio das consequências que sobre si caírão após o conhecimento de que, em si, apenas maldade, por quanta incongruência de pensamentos e práticas e incoerência de actos e palavras levaram a sociedade a definhar e castigaram de todas as formas os seus alvos. moral? correcto? quem ditará as regras?

Anônimo disse...

gostei mais deste, do que outro. tua realidade bem expressa aqui. go on. by desleixada