É cada vez mais sinuoso este caminho que faço. Da ideia que
cresce viva por detrás do brilho do meu olhar, um turbulento número de
incongruências separa-a do texto que ora escrevo, represtinada e lentamente,
nas teclas deste computador. Por tudo isto fica a tentativa e, talvez, apenas ela.
A concretização do abstracto pelo mito da linguagem acaba por se transformar, invariavelmente,
neste poço cadavérico da tentativa. Fugaz. Inconsequente. Sou, resignadamente,
uma cativa do número de palavras de um dicionário. Estas amarras silábicas prendem-me
a uma impotência para captar a realidade sensível numa articulação frásica. A
palavra deixou, há muito, de ser o veículo. Já nem conto as vezes em que volto
atrás para compor o raciocínio, tantas são. No fundo, em mim, toda a ideia se
perde. Nunca uma fuga de informação
se viu tão desvirtuosamente perdida. A metafisica deixou de viver na cor das
minhas letras.
terça-feira, 1 de maio de 2012
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