quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Vigésimo sexto: "Murmúrios de vacuidade existencial"

Pergunta.

E se eu hoje bradasse aos sete ventos o meu desprezo por ti e por todos os que te rodeiam? E se eu dora avante deixar de engolir o sapo que me afoga no delírio nocturno da minha sobeja existência, e devolver-to no mesmo tom agreste? Causará pasmo algum a concepção do profético pato feio ungindo à luz da criação? Que repugnância pode efervescer no corpo debalde de um fantoche conduzido no bulício de gente atroz? Este fantoche autómato que te despreza na exacta medida do teu desprezo por mim. A todos presto com a aromática complacência do meu sorriso dócil; de todos recebo a falsidade espúria desventrada por um olhar obsceno. Faço então por me perguntar do porquê da asquerosidade torpe da vivência humana, de um porquê verosímil, hábil que baste, para me exumar a razão.

Por que é que eu sei que ninguém quer saber daquilo que eu sei? Por que é que todos correm na ânsia de procurar saber tudo o que outros souberam. E por que é que os que não querem saber da sabedoria para nada, pensam ainda que sabem mais do que os outros que querem saber? Fico-me por aqui... não quero saber de mais nada.

Take care,
Maria Rebelo

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Vigésimo quinto: "Prefiro morrer de pé"

Geração atípica de contradições póstumas, enrodilhadas de gritos díspares por pretensa liberdade.

Não sabem o que esperar, lutando por lutar, ou simplesmente porque outros lutam também. Já lá vai, deambulando perdida, a dignidade de outrora, a personalidade própria. Já lá ficou, atrás, o pároco dos carneiros.
Parodiando no drama do seu dia-a-dia, pespontam-se na cegueira da sua irreverência enquanto balançam, quais funâmbulos, em ténue corda bamba. Consomem-se: consomem-se pelo pouco que os faz felizes. Da ganância escarlate que com naturalidade embeiçam, pintam eles a cor de um novo firmamento. Jorram altividade nas saudações, agressividade nas discussões; qual melhor senão esta, a maneira de esconder o véu de ignorância que vagarosamente carregam.

E é então que a bruxuleante luz das virtudes cristãs que tanto a existência invade por lampejos de razão, faz sobepesar nessa arguta luxúria, a humildade serva do palhaço sandeu!

Take care,
Maria Rebelo