sábado, 3 de abril de 2010

Trigésimo: "Em gestos nunca iguais"


Quando seria de esperar não esperar mais de mim própria, ou quando seria de esperar querer ver o mundo, uma vez mais, recortado à imagem do meu quimérico sonho; quando puder fazer-se o homem à imagem da perfeição divina e sob a plenitude de um iluminado pedestal; quando conseguisse o planador soprar ele os seus ventos e construir ele a sua rota, ousando agora a subida; no entretanto do esperar por um guardador de rebanhos que faça a subtracção do ser pelo não ser, da aparência pela essência, naquele resultado metaforicamente ideal…
E quando fôssemos todos os de esperar, os de poder, e os de conseguir...? Quando fôssemos todos os de esperar, os de poder, os de conseguir tudo isto, quando trocássemos a mundanalidade pela excelência do protótipo, quando não nos quedasse nada mais com que objurgar um paralelo em que sonho-e-realidade se miscigenavam, devorado um que fora pelo outro, quando já não houvesse nem mais um contemplar, ou existisse apenas o tal real e só aquele concreto... Sim, quando nos faltasse o sonho… Que mais em nós restaria?

Interrogamo-nos, lamentamo-nos, aspiramo-nos. Dia que fuja a estes três momentos… Nem vê-lo. Ai, se tudo dependesse daquilo que para nós é a correcta definição de correcto… Se ao menos alguém se quisesse importar com as nossas definições...