Aquela brisa, presa em agonias, chegou-me ontem; mais uma vez…
Julgava tê-la perdido, deixada só ao sabor de um outro vento que me abandonara outrora. Queria-a esbodegada e fraca, mas o canto dos seus sussurros teimaram empoleirar-se na minha orelha em permanentes ímpetos e sobressaltos de agonias e brados, numa mística de súplica e contrição. A minha resposta ?, morreu naquele mar de coniventes manifestações de desespero atroz. A minha reacção ?, mergulhara noutra desenxabida dança eremítica desta corja, senhora de faustoso exilo: os pomposos trapos em vestes, os sumptuosos salões de chá de ostentada nudez, os magnatas que, sentindo o fedor de ignóbil corpo desesperado, lá atiram ao pobre a moeda de complacência... É este o seu esplendor, é esta a sua magnificência, o mais cobiçado reino dos céus para qualquer fantasista, o majestoso mundo que tinha para oferecer.
Que se dane!, que me importa afinal? O opróbrio que fez de mim vassalo em minha pátria quedou-se na selva das indulgências que por lá esqualidamente se roçavam. Ensandeci no passado, lutuosa e fúnebre insânia essa que fez cair o meu génio em intempéries e procelas consumistas. Escabujo-me e debato-me pois, agora, por um silêncio que abafe a ignomínia do passado na cobardia do presente, procurando assim evitar a consumpção do benemérito ser ascético que sobra neste pedaço de carne pecador.
Caminhando infinitamente sós, à deriva em mar de questões, procurando respostas, tentando resolvermo-nos, querendo encontrarmo-nos, chegaremos um dia a uma única conclusão: no momento em que tivermos todas as respostas, mudar-nos-ão as perguntas.
Take care,
Maria Rebelo
quinta-feira, 21 de janeiro de 2010
Vigésimo nono: "Saga"
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