quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Vigésimo nono: "Saga"

Aquela brisa, presa em agonias, chegou-me ontem; mais uma vez…

Julgava tê-la perdido, deixada só ao sabor de um outro vento que me abandonara outrora. Queria-a esbodegada e fraca, mas o canto dos seus sussurros teimaram empoleirar-se na minha orelha em permanentes ímpetos e sobressaltos de agonias e brados, numa mística de súplica e contrição. A minha resposta ?, morreu naquele mar de coniventes manifestações de desespero atroz. A minha reacção ?, mergulhara noutra desenxabida dança eremítica desta corja, senhora de faustoso exilo: os pomposos trapos em vestes, os sumptuosos salões de chá de ostentada nudez, os magnatas que, sentindo o fedor de ignóbil corpo desesperado, lá atiram ao pobre a moeda de complacência... É este o seu esplendor, é esta a sua magnificência, o mais cobiçado reino dos céus para qualquer fantasista, o majestoso mundo que tinha para oferecer.
Que se dane!, que me importa afinal? O opróbrio que fez de mim vassalo em minha pátria quedou-se na selva das indulgências que por lá esqualidamente se roçavam. Ensandeci no passado, lutuosa e fúnebre insânia essa que fez cair o meu génio em intempéries e procelas consumistas. Escabujo-me e debato-me pois, agora, por um silêncio que abafe a ignomínia do passado na cobardia do presente, procurando assim evitar a consumpção do benemérito ser ascético que sobra neste pedaço de carne pecador.

Caminhando infinitamente sós, à deriva em mar de questões, procurando respostas, tentando resolvermo-nos, querendo encontrarmo-nos, chegaremos um dia a uma única conclusão: no momento em que tivermos todas as respostas, mudar-nos-ão as perguntas.

Take care,
Maria Rebelo

5 comentários:

Maocat disse...

A busca permanente da definição de uma resposta começa justamente com uma nova pergunta. O ciclo vicioso que toma a alma de muitos e que desgraça outros tantos que se deixam consumir pela dúvida de chegarem ou não lá.
Enfim.
:b
Parabéns, recém nascida "veterana". Como pertencente à nobre casa da FDUL, não deixar de estar orgulhosa.

Maocat disse...

Eu sei que não gostas muito que te chamem Veterana, daí ter posto entre aspas. : ) Observei tal no Facebook.
Mas de facto, a dúvida é sempre o que inicia a busca a um saber mais presente no espírito. Algo saudável, acredito.
Sim, o texto é meu, embora a temática seja diferente... Eu meto em itálico quando depois vou dizer algo diferente ou a mais no post.
Obrigada pelas boas-vindas, embora seja mais um regresso. ^^
beijinho **

Rossana disse...

Oh Maria querida, já te tinha dito que adoro o que escreves mas eu vou-te pedir porfavor tenta escrever sem tanto floreado, tenta as palavras nuas e cruas apenas por uma vez, porque muito do teu sentimento ica perdido em palavras tao ditas caras.
Só um post a nu e cru é o que eu peço sim:)
Beijinho**

Rossana disse...

Ah Ah Ah! Ok pelo menos tentei não foi? isso é que importa, isso e que continues a escrever o que gostas e o que sentes, e mais que tudo o que vives, vou continuar a ler os teus textos e esperar por um novo;)

Beijinho mariazinha***

Nádia disse...

Maria,

Sabes o que pensei quando li este texto? Um dia vejo um livro desta miúda publicado e vou soltar uma lágrima. E é verdade. Não percas, nunca, a força que te move, o teu ânimo, a vontade (que se lê, que destila dos teus textos) de crescer mais, de ser mais, de evoluir mais. Concordo com a Rossana quando diz que podias escrever um texto mais cru. No entanto, se isso te descaracterizar, se achares que não te dá tanto prazer, que não és tu, não o faças. Nunca mudes aquilo que escreves apenas por achares que te vão "ler melhor". É meio caminho para nos perdermos, meio caminho para perderes a tua qualidade. É caso para dizer: poder podias, mas não era a mesma coisa ;)

Um beijo minha querida,
Espero ver-te em breve.

N.