A muito aspira o homem de facto. Naquelas suas caminhadas petulantes, de auto convencimento, por que gosta de dirigir o seu barco, constantemente ousando subir novo degrau rumo ao berço que tanto diz aclamar por seu nome - porque ele ouve-o, quer ouvi-lo. Ah, tantas vezes o sonha! Sonha-o naquele aspirante minuto intemporal por que se deixa levar junto à janela: ali ele é e foi brisa. Sonha-o numa ávida fome de não o deixar fugir, denunciando o calafriado medo de perder aquele calor que o consome, que lhe dá asas, o único que conhece. E ainda bêbado no mesmo especioso conto quimérico, cobiça mundos e fundos: olhando o céu, enxerga o império! Voa-lhe o imagético e insaciável querer: revela-lhe o cosmos as paixões, os amores que lhe saciarão a carne e o sanarão dos desgostos vis com outra cura que não divina; estendem-lhe o trono fértil da jubilosa riqueza tão sofregamente querida e que tanto lhe enche os bolsos doutra coisa além do ouro: a confiança que esbanja agora nos sorrisos pródigos!
Chegou. Tinha que chegar, sabia-o. Matou-o o tempo idiota... Levou-o o vento insolente... E voou poeira uma vez mais!
Take care,
Maria Rebelo
