quinta-feira, 30 de abril de 2009

Décimo oitavo: "Porque o mundo precisa de cor"

Sei quem és mas não te conheço... pena. És da minha família mas não do meu sangue... falta. És Mertina, a pequena menina com 8 anos de Maputo que agora é uma Rebelo. Uma nova Rebelo com comida na mesa e educação garantida. Uma nova Rebelo que no afago do amor da nova "família" iniciará seu rumo ao nosso lado.

Porque despreza tanto o homem o outro e desvalora o seu? Os paradoxos para os quais gostava de resposta... silêncio.

sábado, 25 de abril de 2009

Décimo sétimo: "Numa nova aurora por liberdade"

Eduzir dos cânticos, dos louvoures, a voz que cantou a liberdade,
e enxergar nos cravos, no esplendor das imagéticas espingardas,
jubilosa sede por novo Fado. Numa réstia de vontade
luta pelo homem que foi outrora, agora em povo, vestindo nas fardas
a luta por outra aurora, a união de uma póstera autoridade.

“E o vento cala a desgraça", deixando corre ilacerável a entrança,
rumando, naquela jaga e no pronuncio dos saudosos profetas
que em vão erguerão corpo, arma e mão, caminhando na sagacidade pela
vitória , por rostos órfãos de verdade ou razão, mas sem nas quebras
revelar fraqueza ou perante o bréu do futuro esquecer a esperança!


Take care,
Maria Rebelo

sábado, 11 de abril de 2009

Décimo sexto: "Cabeça de sete"

Hoje apeteceu-me Dali e Kush, hoje apeteceu-me Frida.

Eram já nove e breu; nove nêsperas numa nona nuvem naufragada. Espreito a rua, olho o céu em vertiginosa tentação de ver em virgem sonho reis e fadas, fantasias e quimeras. Chovem lágrimas amarelas de um luzido refrescante naquele palco de estrelas ludibriadas: cenário de abelhas poetas, de elefantes bailarinos, de besouros pintores; ali, embebidos por elas: frescas gotas, agora rosas, de um rosa vermelho que logo virou roxo, de um roxo púrpura que logo virou azul! Ai azul... azul do céu, azul das rosas, azul da noiva e do noivo, azul de coca-cola e de amor, azul da bandeira nacional e do hino, azul do sol e da cor das minhas unhas! Gosto do sentir da beatitude de Alice. Insta-me o coração para um mergulho rebelde naquela longa lezíria além, verde, campestre, esbelta nas suas rugas traçando ondulante solo (também) azul, com maré vaza e ar salgado. Molho o pé descalço sentindo a palpitação do meu relógio colidir com o assobio da onda rebelde. Sem pudor me dispo: pouso a vergonha no microondas e mando com a avareza para a primeira prateleira do frigorífico, descalço das mãos o orgulho e dos pés o egoísmo e atiro-os para a máquina de lavar... já posso correr nua pelos jardins do Éden, estou mais leve. Pego na vespa à esquina do talho da vila que tanto me enamorava com a sua lustrosa graça desde os 16, e monto-a em cima de mim, levando-a deleitada nos meus 8km/h, sem que soçobrando na hesitação, logo me lançasse naquele suculento e ruidoso batido de banana. Cheiro o perfume amorangado das azedas que colho no caminho provando, de seguida, pelo pé suado e descalço, a sua seiva caramelizada com um leve toque de framboesa e um cheirinho a rosmaninho. Olho os vestidos carmesim das vaidosas camélias que se empoleiram ao vento lá em suas varandas rasas esperando passar paixões, Digo-lhes para que também se dispam, mas não o querem... Prossigo a jornada, hei-de lá chegar! Sucumbo ao êxtase de balouçar numa espiga perdida e ao entusiasmo de me dela soltar no cume da subida. Sou criança, volto para o escorrega donde me gritam arrogantes búzios com jactos de tinta no céu, cuspindo-os como quem chupa beijos ou como cospe a fotografia angústia ou a música lágrimas.

Cospe, chup... hmm mexilhão com salsa sob uma aura de limão e chá; apetite de morte que me morde as costas! Fome de nada...

Take care,
Maria Rebelo

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Décimo quinto: "És um pato meu grande animal!"

Já viste bem a merda que é a tua vida?

Abjuras ao justo em prol e sede de conveniência própria. Que imódica hilaridade essa tão vil e desprezível que faz de Ti um animal sevo? Acorda e ira-Te duma vez contra ti próprio minha grande e infame besta! Rega-Te por águas limpas pois é tempo de quedares-Te de petulâncias egocêntricas e estúpidas pretensões opulentas porque vales zero, vales um grande Nada! Queres ser Verbo e tornas-te lixo: és Lixo a cheirar a Dolce Gabana e vestido de Prada! Queres a grandiosa obtusidade do respeito e do significado imódico das insígnias no peito, da porcaria dos crachás que exibes e de uma digna vidinha de lisonjeios e gracejos e risinhos e palmadinhas e sorrisinhos amarelos e… ahhhhh, suspiro; que jubilosa ambição essa para a posteridade: tu na cova e eles na merda para o que tu foste! ou pensaste mesmo que iriam, por Ti, parar a trivialidade das suas vidas egoístas, tal como foi a tua, tal como tu fizeste por outros (ou será dizer ‘não fizeste’)?! Se ficares com um “Ele era tão bom rapaz” num serão de álcool já será sorte …. merda! Tudo merda!
Passas-te por um imbele para te revelares num maquiavélico arrivista; vês-te imiscível na corja por que te vês rodeado e que tanto desprezas, preso e hílare pela tua excelência, pela imaculabilidade pura do teu algodão de cetim esverdeado, brilhante e sedoso e “ai, ele tem elegância…”. Mas que merda é essa? O que é que a tua insigne postura diz do teu cérebro morouço? Nada! És parvo porque acreditas nisso e és parvo porque queres continuar a acreditar que és único, que serás um querubimzinho adorado à mesinha de cabeceira da quérula e plangente mãezinha, “tão orgulhosa do menino”. Mais merda: do menino que se tornou obnóxio, servil, rogado, desconhecendo o significado de ‘oblatividade’, incapaz que fosse de estender a mão a outrem que não ele, incapaz de levantar o braço e bater o pé, incapaz de dizer que não e agir que sim. Bolas. És igual a todos outros! És, afinal, um pato a alimentar-se de migalhas para encher a barriga sem usares da inteligência para perceberes quem te dá o pão e porque é que to dá! És um pato porque sabes que só te apanham com comida e ainda assim vais lamber o chão! És um pato porque és manipulado e nem te apercebes disso! És um pato porque és um grande estúpido!

Mas e se serei eu o problema? Querer ver a verdade e denunciar a mentira será pretexto suficiente para a diferença? (Estúpidas retóricas!) Só sei que me vejo autista num mundo que já não é o meu…

Take care,
Maria Rebelo