Pensamentos esgotados (?) por entre ensanguentadas paragens; paradeiros deambulantes ao sabor de nova viagem, ao princípio de novo fim. Mas para quê?
Rasgam-se os bosques da divina dríade em nuas e desenxabidas planícies, despidas de folhagem, de vida; corro-as em lânguida rapidez, desalmadamente expelindo, a gritante sôfrego, a vontade livre do meu crer! Quero que a dubiedade restante no soalho da proa, na aurora brecha de luz ou na insalubre sombra do sol poente restante neste prófugo mundo, exaltem a sua grandiosidade, envaideçam a lira música com que canta, que vaidosa e deslumbrantemente a ornamentam, que nos enfeitiça sem resposta. Cresça a dúvida, alimente-se a ignorância pois só ela trás a “feliz beatitude”. Pois que seja tudo a dobrar: tanto porque livre de gritantes apoquentamentos que nos consomem a alma como pelo prazer por filho de perfeita mãe! Que se consuma o homem na natureza numa fluência de línguas que só eles conhecem!
Não, hesito, quero mais; não chega para colmatar esta ânsia de possuir no que vejo o que quero! Quero um mundo perplexamente vago, berço de homens de arcano destino. Persegue-te por loquaz garrulice, jaga social, qual eloquente virtude a seus olhos, e verás que, sem embargo, acabarás tão cego como nós, perdido entre fuscos olhares chacinos. Essas questões metafísicas, ficção científica, pretensões eugénicas, já mais cobrirão tamanha fêmea, da mesma forma como jamais ganhará a vaca asas ou falará o melro português. Aflorem-se pois todos vós (nos precisos términos económicos) em "price takers" científicos que a resignação não raras vezes vos será útil e poucas vezes funesta. Pois não é o que nos diz o desconhecido autor do génesis? Porque rejeitas então tuas origens? Porque foi o homem castigado senão pela estúpida tentação de Eva, essa aí, desencaminhada por tamanha manha animal? Modéstia e humildade, porquê sempre esquecidas?
Encontra em Arcádia o teu rumo, faz de Alberto Caeiro o teu mestre, e das aspirações da perita sapiência o labéu do caminho, o desejo especioso rendido na perdição do bréu nocturno, o grande pecado cristão que tu, meu irmão, ousarás renegar!
Rasgam-se os bosques da divina dríade em nuas e desenxabidas planícies, despidas de folhagem, de vida; corro-as em lânguida rapidez, desalmadamente expelindo, a gritante sôfrego, a vontade livre do meu crer! Quero que a dubiedade restante no soalho da proa, na aurora brecha de luz ou na insalubre sombra do sol poente restante neste prófugo mundo, exaltem a sua grandiosidade, envaideçam a lira música com que canta, que vaidosa e deslumbrantemente a ornamentam, que nos enfeitiça sem resposta. Cresça a dúvida, alimente-se a ignorância pois só ela trás a “feliz beatitude”. Pois que seja tudo a dobrar: tanto porque livre de gritantes apoquentamentos que nos consomem a alma como pelo prazer por filho de perfeita mãe! Que se consuma o homem na natureza numa fluência de línguas que só eles conhecem!
Não, hesito, quero mais; não chega para colmatar esta ânsia de possuir no que vejo o que quero! Quero um mundo perplexamente vago, berço de homens de arcano destino. Persegue-te por loquaz garrulice, jaga social, qual eloquente virtude a seus olhos, e verás que, sem embargo, acabarás tão cego como nós, perdido entre fuscos olhares chacinos. Essas questões metafísicas, ficção científica, pretensões eugénicas, já mais cobrirão tamanha fêmea, da mesma forma como jamais ganhará a vaca asas ou falará o melro português. Aflorem-se pois todos vós (nos precisos términos económicos) em "price takers" científicos que a resignação não raras vezes vos será útil e poucas vezes funesta. Pois não é o que nos diz o desconhecido autor do génesis? Porque rejeitas então tuas origens? Porque foi o homem castigado senão pela estúpida tentação de Eva, essa aí, desencaminhada por tamanha manha animal? Modéstia e humildade, porquê sempre esquecidas?
Encontra em Arcádia o teu rumo, faz de Alberto Caeiro o teu mestre, e das aspirações da perita sapiência o labéu do caminho, o desejo especioso rendido na perdição do bréu nocturno, o grande pecado cristão que tu, meu irmão, ousarás renegar!
Take care,
Maria Rebelo

2 comentários:
Prosa difícil hein :)
Tomo-a por poema, hino à liberdade, canto à ignorância como fonte de todos os saberes e à tristeza como alvor de outros e mais luminosos caminhos.
Sejamos humildes, tenhamos a coragem de pedir o impossível.
Enaa, Alberto Caeiro? :p
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