Em vão versei-me sobre objectivos que estupidamente previ servirem para alguma coisa. Em última análise procurei a forma que mais facilmente me permitisse chegar junto a ti, que me permitisse eclodir com a frieza do teu carácter, barreira essa que tanto me amedronta mas que, paradoxal e antagonicamente, eu tanto admiro.
Pois bem agora, dias volvidos, horas passadas, decisões discutidas e acções reflectidas, envergonho-me por tudo o que (te) fiz. Que direito tinha eu afinal (insignificante criatura que se julga promessa, fã, pessoa) para me "intrometer","abedelhar-me" na tua vida, dirigindo-te conselhos sobre matérias das quais nem tenho o condão de conhecer, epigrafando altivos palpites julgando ser fiel conhecedora da vida, experiente ombro conselheiro, mitológica deusa vidente, consciência vagabunda exteriorizada, quando, afinal, dela nada sabe?
Árduo foi o trabalho de 'pesar as imensuráveis' consequências que adviriam desta reles confissão condenada. Adiantei-me pelo caminho da direita, consciencializando-me do dinâmico passo que teria de acompanhar, das pegadas em movediça terra que teria de calcar. Mas perante a única alternativa que o flagrante fado me disponibilizava optei por acatar as decepções inerentes a esta confissão medonha, preferi a opção que implicará vexar-me doravante cada vez que contigo me cruzar, escolhi o pejo que jamais me deixará erguer-te os olhos (nem relance, nem surdina, nem nada), tomei a opção de desiludir duas pessoas que tão ingénua e genuinamente admiro porque, egoísticamente, não aguentava a pressão da mentira. Pois não é, afinal, "contar a verdade", apenas a preferência do teu sofrimento ao meu?, esta atitude egoísta de preferir passar-te a ti o testemunho da dor que antes, sozinha, só a minha consciência experimentava, só exclusivamente eu conhecia?
Invoco, por toda a honestidade que tenho, o perdão a que suplico atendas. Tudo o que eu queria era a possibilidade de, sem medos, poder dirigir-te conselhos; tudo a que sonhava era, sem hesitações, louvar-te e clangorar o quanto te admiro; o tudo a que eu aspirava era uma só oportunidade de, sem rodeios, poder falar-te fora desta óptica separatista, cismática, que irreversivelmente nos une; apenas procurava a pequena brecha que irrigaria de coragem o meu corpo e lhe conferia destreza suficiente para abertamente te “ajudar” a amputar a tépida tristeza que via (ou queria ver) na tua expressão, porque queria (e quero) vê-te sorrir.
Pois quem me ditaria onde encontrar a coragem necessária para dizer-te isto pessoalmente?! Nem tão-pouco conseguiria explicar (caso me perguntasses) como fui eu dizer-te, pedir-te tudo aquilo, naquele solarengo dia de Outono, naquela horrível e silenciosa sala da biblioteca, quando o resto do mundo desejava que assim não fosse?
Não se explicam os impulsos; já as decisões irracionais, mas que daqueles se divergem por apelarem à consciência egoísta do ser humano, como seja a de principiar a escrever tudo isto, pode-se (deve-se) explicar. Ora como justificado acima ficou, resta agora colher os frutos da árvore que plantei. Compreenderei se ao leres este texto, ponto final da estúpida história que quis criar, o queimes e, sem hesitações, corras na minha direcção para me censurares de todas estas calamidades que cometi; mais: esbanjar-te-ei os meus dois braços, para que juntos façam quatro as mãos manejantes do pesado chicote que se derriçará contra o meu frouxo corpo prófugo e errante, marcando-o de desilusão própria e alheia.
Resta-me, confissão feita, pedir novamente perdão, desta feita pelo martírio da extensa leitura e pelo melodrama nela enredada. Mas acontece que a minha vincada personalidade vincada faz os meus princípios e, assim, sempre que um deles desaba em terra, de arrasto, e sentidos, desabam outros tantos como seja o do respeito próprio.
Fica um perdão sincero.
Take care,
Maria Rebelo*
Pois bem agora, dias volvidos, horas passadas, decisões discutidas e acções reflectidas, envergonho-me por tudo o que (te) fiz. Que direito tinha eu afinal (insignificante criatura que se julga promessa, fã, pessoa) para me "intrometer","abedelhar-me" na tua vida, dirigindo-te conselhos sobre matérias das quais nem tenho o condão de conhecer, epigrafando altivos palpites julgando ser fiel conhecedora da vida, experiente ombro conselheiro, mitológica deusa vidente, consciência vagabunda exteriorizada, quando, afinal, dela nada sabe?
Árduo foi o trabalho de 'pesar as imensuráveis' consequências que adviriam desta reles confissão condenada. Adiantei-me pelo caminho da direita, consciencializando-me do dinâmico passo que teria de acompanhar, das pegadas em movediça terra que teria de calcar. Mas perante a única alternativa que o flagrante fado me disponibilizava optei por acatar as decepções inerentes a esta confissão medonha, preferi a opção que implicará vexar-me doravante cada vez que contigo me cruzar, escolhi o pejo que jamais me deixará erguer-te os olhos (nem relance, nem surdina, nem nada), tomei a opção de desiludir duas pessoas que tão ingénua e genuinamente admiro porque, egoísticamente, não aguentava a pressão da mentira. Pois não é, afinal, "contar a verdade", apenas a preferência do teu sofrimento ao meu?, esta atitude egoísta de preferir passar-te a ti o testemunho da dor que antes, sozinha, só a minha consciência experimentava, só exclusivamente eu conhecia?
Invoco, por toda a honestidade que tenho, o perdão a que suplico atendas. Tudo o que eu queria era a possibilidade de, sem medos, poder dirigir-te conselhos; tudo a que sonhava era, sem hesitações, louvar-te e clangorar o quanto te admiro; o tudo a que eu aspirava era uma só oportunidade de, sem rodeios, poder falar-te fora desta óptica separatista, cismática, que irreversivelmente nos une; apenas procurava a pequena brecha que irrigaria de coragem o meu corpo e lhe conferia destreza suficiente para abertamente te “ajudar” a amputar a tépida tristeza que via (ou queria ver) na tua expressão, porque queria (e quero) vê-te sorrir.
Pois quem me ditaria onde encontrar a coragem necessária para dizer-te isto pessoalmente?! Nem tão-pouco conseguiria explicar (caso me perguntasses) como fui eu dizer-te, pedir-te tudo aquilo, naquele solarengo dia de Outono, naquela horrível e silenciosa sala da biblioteca, quando o resto do mundo desejava que assim não fosse?
Não se explicam os impulsos; já as decisões irracionais, mas que daqueles se divergem por apelarem à consciência egoísta do ser humano, como seja a de principiar a escrever tudo isto, pode-se (deve-se) explicar. Ora como justificado acima ficou, resta agora colher os frutos da árvore que plantei. Compreenderei se ao leres este texto, ponto final da estúpida história que quis criar, o queimes e, sem hesitações, corras na minha direcção para me censurares de todas estas calamidades que cometi; mais: esbanjar-te-ei os meus dois braços, para que juntos façam quatro as mãos manejantes do pesado chicote que se derriçará contra o meu frouxo corpo prófugo e errante, marcando-o de desilusão própria e alheia.
Resta-me, confissão feita, pedir novamente perdão, desta feita pelo martírio da extensa leitura e pelo melodrama nela enredada. Mas acontece que a minha vincada personalidade vincada faz os meus princípios e, assim, sempre que um deles desaba em terra, de arrasto, e sentidos, desabam outros tantos como seja o do respeito próprio.
Fica um perdão sincero.
Take care,
Maria Rebelo*

2 comentários:
Como eu te disse na nossa conversa de ontem...há coisas que só podem ser apreciadas de longe, sem haver porquês ou tentativas mais de querer mais um pouco para além de uma visão.
De resto, está com a qualidade do costume!
ja sabes o que penso sobre o assunto.. nao sei o que fizeste depois mas gostaria que nao me tivesses desiludido..
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