sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

O oitavo: "Luta"

(Hoje dedico-me aos que me poderão ler.)

Quais que cruéis as penas fatais sentenciadas pelo indomável e inexplicável conceito de amor. Genes enfurecidos, turbilhando ao fervor de novo lance, à excitação de novo olhar, ao fugaz vislumbre de novo sorriso. De imediato soltam-se os inquestionáveis dilemas dos “porquê?”, dos “como?” e que constantemente não arranjam resposta; seguem-se os suspiros e os desejos dos ”há esperança!” dos “sei que sim!” frequentemente findados em longínquas miragens permanentemente inalcansáveis. Custa tanto vê-los cair, um após outro: loucos desejos de amor, momentos de ilusória paixão… oh mas custa tanto mais ver-te todos os dias nesse teu ar imperial de irreverência, majestade invicta, perfeita postura soberana de justificada arrogância, querer tocar-te, afagar as minhas mãos debaixo do teu manto num abraço intemporal, beijar-te suave e ternurosamente o pescoço mal barbeado, despedir-me de ti com uma lenta carícia na tua macia face pálida, poder mostrar-te o sorriso terno que te acordaria todas as manhãs e o “dorme bem” melodioso de quem aceitaria deitar-se contigo todas as noites e, no entanto, nada te podendo dizer, nada te podendo fazer.
Estenderam-te virgem tábua rasa onde escreveste as tuas pretensões, onde traçaste o teu destino em caligrafia negra e simbólico ouro. Rever-se-iam todos os outros na tua irreal feitura e o banal mundo da nossa felicidade ruiria por incompreensão de facto (e voltam os “como?” e os “porquê?” e eu que deles não me consigo livrar!).
Mas a chama acesa temerá perdurar em lume brando, permanecerá o jogo de inigualáveis titãs derriçando-se por senhoria pomba real (esperando gaiola aberta): um eu ambicioso, determinado, mas imberbe; um tu vulgar, feio, injustamente amado. Invejo-te sua malfeitora duquesa, pomposamente colocada em alto pedestal, sua concubina prematuramente lograda (pois o que não sabes tu, é que foram jacobinos os que a história escreveram, e que ainda estão para vir!).

E eu que jamais pensei odiar tanto os que te amam; que jamais pensei gostar tanto dos que te odeiam!

Take care,
Maria Rebelo

3 comentários:

Anônimo disse...

Maria!
Eu não estava nada mal, estou mt great até =)
Gostei do texto e estou na duvida quanto aos sujeitos, ou seja, quem ama e quem é amado? ... Há tantas possibilidades, se me entendes.

Beijola

P. disse...

eu começo a sentir-me mal por escrever aqui.. será minha impressão ou o que se escreve aqui são sempre textos de sentido apercebido apenas por alguns (vulgo: privates) ou palavras demasiado intelectuais que, still, continuam a ser somente percebidas por outros (ou serão os mesmos?)..
aqui fica o meu contributo à entropia.
beijinhos

Anônimo disse...

LOLOLOL maria maria, isso anda Atribulado . by desleixada