Ponho-me a pensar...
... que às vezes devia pensar menos. Devia?
Dou por mim submersa num tumulto de contradições anárquicas, embeiçada em combalidos alvoroços desapaixonados, piruetas ousadamente irreverentes mergulhados na azafamada lógica do meu pensamento. Sou eu a dar por mim, minguada na minha mísera mesquinhice, na minha insurrecta insatisfação, indagando-lhes as entranhas, eu aviltando-lhes as aspirações, eu saqueando-lhes a vangloriosa jactância com que julgavam astutamente poder-me destraçar, descartar, nesse holocausto de esquizofrenia exasperante. Eu?
(De novo...) Gostava de saber como abraçar o cândido canto com que o alevanta o vento o fado. Gostava de saborear a silhueta do rutilante desprezo, provar da vagabunda irreverência, hastear o meu orgulho à boa maneira nacional, dissimular da velha carranquice, converter-me ao zelo à amotinada obstinação anódina. Gostava?
E, às voltas na mesma prece, continuo rogando ao carácter e gorando o juízo; e, jazindo em mim, naquela perseverança desmedida e desnorteante de indagações de bruta estupidez, lá persiste na mesma teimosia, o mesmo catarro; e, cessando a tépida e tíbia coerência do já frouxo existencialismo atroz, no soar vindo de trovas grajeantes e em sedutora dança final, ateiam-me, no seu último e derradeiro regozijo, as sobras e sobejos na lacuna, na clareira da minha sanidade ida.
"Tento, e contra Eurípedes nego: nem caindo liga"
Take Care,
Maria Rebelo
... que às vezes devia pensar menos. Devia?
Dou por mim submersa num tumulto de contradições anárquicas, embeiçada em combalidos alvoroços desapaixonados, piruetas ousadamente irreverentes mergulhados na azafamada lógica do meu pensamento. Sou eu a dar por mim, minguada na minha mísera mesquinhice, na minha insurrecta insatisfação, indagando-lhes as entranhas, eu aviltando-lhes as aspirações, eu saqueando-lhes a vangloriosa jactância com que julgavam astutamente poder-me destraçar, descartar, nesse holocausto de esquizofrenia exasperante. Eu?
(De novo...) Gostava de saber como abraçar o cândido canto com que o alevanta o vento o fado. Gostava de saborear a silhueta do rutilante desprezo, provar da vagabunda irreverência, hastear o meu orgulho à boa maneira nacional, dissimular da velha carranquice, converter-me ao zelo à amotinada obstinação anódina. Gostava?
E, às voltas na mesma prece, continuo rogando ao carácter e gorando o juízo; e, jazindo em mim, naquela perseverança desmedida e desnorteante de indagações de bruta estupidez, lá persiste na mesma teimosia, o mesmo catarro; e, cessando a tépida e tíbia coerência do já frouxo existencialismo atroz, no soar vindo de trovas grajeantes e em sedutora dança final, ateiam-me, no seu último e derradeiro regozijo, as sobras e sobejos na lacuna, na clareira da minha sanidade ida.
"Tento, e contra Eurípedes nego: nem caindo liga"
Take Care,
Maria Rebelo

Um comentário:
pensa menos, que isso me parece muito complicado.
:)
Postar um comentário